A Irritação

Hoje é muito comum as pessoas dizererem: “Não fale comigo hoje, pois estou irratada(o)”, “Não agüento mais fulano(a) ! Ele(a) me irrita”.

Afinal, onde começa a irritação ? É o(a) outro(a) que te irrita ou é você que fica irritado ?

Os seus sentidos se irritam, e não você. Enquanto você estiver identificado com os sentidos a irritação permanece. Os sentidos existem como veículos de captação de cada instante. Você está recebndo dezenas de informações de todas as partes a cada instante.

Saiba que o seus sentidos estão impregnados de crenças, regras, julgamentos e interpretações distorcidas da realidade. Seus sentidos estão totalmente poluídos por uma reprogramação constante do que é certo ou errado. Desde a infância os seus pais já diziam o que pode ou que não pode ser feito como se fossem buzinas intermináveis ressoando no seu aparelho auditivo. O seu cérebro mal se desenvolveu e você já foi programado para ser de um jeito.

A irritação é como um chiado de rádio fora da estação. É um mecanismo de defesa do ego. Os seus sentidos captam as informações do ambiente e das pessoas ali presentes e se o que você vê, escuta e sente não estiver dentro dos seus padrões de aceitação, possivelmente o sistema começará a sofrer estresse, gerando alteração do humor, desconforto físico e, consequentemente, muita irritação.

Esse mecanismo funciona através de duas palavras chaves: aceitação ou rejeição. Aceitação é igual a conforto. Rejeição é igual à tensão, desconforto.

Pare um pouco, e reflita: com o que você realmente está irritado ? Com o outro ou com aquilo que você não aceita no outro ? Com o ambiente ou com o visual não adequado que você acha do ambiente ? A cidade é chata ou não está dentro dos seus padrões de conforto e diversão ?

Portanto, se você se irrita constantemente, comece a rever os seus valores e princípios. É bem provável que eles estão saindo do padrão social e você queira mudar o que acontece a sua volta.

Quando a irritação surgir, faça uma pausa. Observe o dentro e o fora. Volte a sua atenção para os seus sentidos. Perceba-os. Reflita sobre o que está acontecendo ? O que os seus sentidos estão captando que você não está dando conta?

Através dessas perguntas básicas você pode descobrir coisas que você não se dava conta. Não tente inibir a irritabilidade. Observe-a. Perceba-a e dialogue com ela.

É muito comum tentar sair imediatamente da situação quando se sentir irritada(o). Porém, isso não vai com que você se livre da irritação. Essa atitude apenas encobrirá a irritação fazendo com que a irritabilidade permaneça como pano de fundo, voltando ainda mais forte quando você se deparar com um novo estímulo.

Experimente praticar o silêncio e a observação. Não tome decisões precipitadas. Questione os impulsos, medite, descanse, fique sozinho quando puder. E lembre-se que você não é irritado, mas você fica irritado.

Autora: Elaine Lilli Fong e Equipe

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O Sonho de uma Criança

Dizem que o ser humano é motivado pelos seus sonhos. Entretanto, ao decorrer da vida, nossos sonhos vão sendo podados e esquecidos muitas vezes por pessoas que já engavetaram os seus próprios com frases como: “Isso não dá dinheiro !” ou “Isso não será bom para você !”. Provavelmente, muitos de nós já ouvimos “conselhos” desse tipo e, às vezes, nos pegamos prestes a dizer algo parecido à alguém. Uma pergunta que fica no ar é a de como alguém pode ter tanta certeza do que é bom ou não para uma outra pessoa ?

Essa atitude, como quase todas as outras, teve sua origem em nossa infância, período o qual recebemos muitas frases negativas, algumas com o intuito de proteger nossa integridade física, e outras que acabam por destruir muitos de nossos sonhos. Quando conversamos com as crianças, devemos pensar muito bem em tudo o que falamos. Nossas palavras tem um grande poder sobre elas. Nós temos o poder de ajudá-las a construir seus sonhos ou de destruí-los. Infelizmente, a grande maioria desmotiva-os sem ter consciência deste fato.

Da próxima vez que encontrar uma criança, pergunte-a o que ela gostaria de fazer quando crescer. Elogie-a por tal sonho e talvez possa até perguntar a razão pela escolha. O questionamento, diferente das afirmações, ajudam a pessoa (criança ou adulta) a refletir e descobrir o seu verdadeiro motivo para tal meta. Se não for realmente o que ela quer, ela mesmo irá descobrir um novo sonho. Não cabe a nós escolher ou impor nossos próprios desejos sobre elas. Às vezes, o sonho de uma criança é motivado pelas pessoas mais próximas, outras vezes pelo que ela vê e escuta na televisão, mas o legítimo é aquele que vem de seu interior. Ensinar uma criança a buscar em seu interior as razões para sua vida é algo que ela levará para a vida inteira. Caso alguma vez fique desorientada ou sem rumo, poderá buscar dentro de si o seu verdadeiro motivo para viver.

O verdadeiro sonho não é aquele que vem pelo desejo de poder ou fama de nosso ego, mas aquele que vem do nosso âmago motivado apenas pela essência de nosso amor e felicidade.

Autor: Saulo Nagamori Fong e Equipe

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A Importância do Auto-Conhecimento

Por que se conhecer ? Esta é uma pergunta que só você poderá responder. E este é um dos próprios motivos que me leva a olhar constantemente para dentro. É olhando para o nosso interior, examinando e transcendendo nossos padrões herdados de nossos pais, de nossos familiares e da própria cultura e sociedade que poderemos encontrar um sentido em nossas vidas, uma resposta para a pergunta que a maioria de nós tem na mente: “Para que estamos vivos ?

O auto-conhecimento nos leva a uma profunda viagem ao nosso interior, fazendo nos compreender por que reagimos a uma determinada situação, tornando-nos capazes de fazer uma escolha mais consciente, e que consequentemente nos levará à uma satisfação e sentido de vida cada vez mais significativo.

Desde a mais tenra infância, fomos criando “couraças” para proteger nossa verdadeira essência. Fomos adquirindo padrões sócio-culturais que quando são rígidos e inflexíveis bloqueiam nosso processo de desenvolvimento. Vamos “levando” a vida, escutando apenas o que os outros, a sociedade e os nossos padrões nos dizem para fazer, muitas vezes, não dando ouvidos à nossa própria voz que vem do nosso coração, do nosso interior.

Muitos nem sequer tem consciência dessa voz interior, outros tentam silenciá-la a qualquer custo. Estão ainda iludidos pelas pressões, determinações e medos impostos pela sociedade e pelo próprio ego: “Mas o que vão pensar de mim se eu fizer isto?

Certas pessoas têm medo do que pode vir a acontecer, mas esquecem que a vida está presente no agora. E é no agora que o coração, que o Ser clama para que o sigamos, confiando e fluindo, pois é aí que está a verdadeira evolução e o verdadeiro aprendizado que trará a paz e a satisfação interior.

Assim, o auto-conhecimento nos leva ao des-envolvimento de nossa Consciência, transcendendo as “couraças” e indo em direção da nossa verdadeira essência de Amor, uma viagem que exige mais coragem do que segurança.

Autor: Saulo Nagamori Fong e Equipe

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A Busca

A Busca Cessou;
O Agito Acalmou;
A Tensão se Dissipou;
A Paz se Restaurou;
No Agora, Simplesmente Sou.

Autor: Saulo Nagamori Fong e Equipe

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O Apego

O apego está relacionado ao agarrar-se. Agarrar algo é um ato superficial, não existencial. Todos nós somos apegados à alguma coisa, entretanto sabemos o quanto sofremos quando temos que abrir mão daquilo que estamos apegados. Saiba que o apego limita nossos verdadeiros desejos. Quando estamos apegados somos mesquinhos e egoístas e não estamos seguindo o fluxo da natureza.

A natureza é desapegada. Por exemplo, quando um pássaro bota um ovo, a mãe está presente até o momento em que seu filhote nasce, cresce e fica forte. Depois, o pequeno pássaro vai buscar o seu próprio caminho. A mãe não se apega ao filhote que agora já é um adulto.

Existem diversas formas de apego as quais podemos renunciar. Faça uma reflexão interna e perceba qual apego que existe hoje em sua vida e qual você já estã disposto a deixar fluir:

Tipos de Apego

Apego ao ego: está relacionado a idéias e pensamentos fixos, sendo que pessoas apegadas ao ego são menos compreensíveis e mais preconceituosas. Atividades junto a natureza propiciam uma quietude interna, onde observamos menos conflitos de egos. Por exemplo, se imagine em uma caminhada na trilha de uma floresta com outras pessoas. Geralmente, as pessoas estão mais interessadas nas paisagens, no clima, nos animais que poderão surgir, sentindo e curtindo o que a natureza tem de bom. Um outro exemplo acontece nos retiros espirituais: exigimos menos e somos exigidos menos também, portanto não há nada que precisa ser provado. Na vida cotidiana estamos sempre pensando em termos de “meu espaço”, “meu tempo”, “meu trabalho”, “meus objetos”, “meus amigos”. Quando largamos tudo isso, podemos assim permitir que outros entrem em nossas vidas tornando-se mais próximos de nós mesmos.

Apego à opiniões estreitas: ocorre quando o indivíduo está apegado à concepções que não funcionam. Pode ocorrer também quando a pessoa estabelece uma opinião fixa em relação à vida de outra pessoa. Por exemplo: quando o pai ou mãe exige que a sua filha siga uma carreira escolhida por um deles. Essas pessoas costumam projetar os seus desejos e opiniões em cima das outras pessoas, sendo que a última palavra deverá ser a dela, tornando a situação desagradável. Uma soluçãp seria usar uma percepção meditativa, sem julgamentos, para abrir nossas mentes e fluir com as idéias - em vez de se fixar nelas.

Apego ao princípio do prazer e da dor: podemos perceber esse apego em pessoas dependentes de bebidas, chocolates, vícios, romances que nunca dão certo, família etc. Para exemplificar este tipo de apego imaginem a seguinte cena: uma mulher é questionada se é feliz no casamento e dá a seguinte resposta: “Eu acho que sim, apesar do meu marido bater em mim e no meus filhos, ele é trabalhador, não deixa faltar nada em casa. Enfim, nunca parei para pensar nisso, estamos juntos há tanto tempo. Acho que acostumei com isso, não me vejo sem ele.” Esse é um caso fictício, porém típico de apego ao sofrimento. Ficamos tão presos as rotinas familiares de relacionamentos dolorosos que nem sabemos mais como soltá-las e caminhar em outra direção mesmo quando fica evidente que isto é o que nos convém.

Apego à ritos e rituais vazios: ocorre quando as pessoas se agarram a dogmas vazios o tempo todo, não sendo capazes de abrirem suas mentes e pensar por si mesmos porque acreditam em alguma coisa simplesmente porque foi dito por alguma autoridade ou porque está escrito em um livro.

Apego à visão limitada e míope que só é capaz de enxergar a partir de um único ponto de vista: quando expandimos nossa auto-percepção, passamos a ver, ouvir e sentir a partir de um outro ponto de vista, mais amplo. Podemos sentir a fragrància divina ou intuirmos uma presença impalpável, porém autêntica. Ao nos sentirmos compelidos a aprender e amar, precisamos olhar com mais profundidade para as complexidades de nossas experiências, com todos os seus diversos níveis interligados, dimensões variadas e múltiplas formas de existência.

Autora: Elaine Lilli Fong e Equipe

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A Paz

Atualmente, há uma movimentação muito intensa em busca da paz. Existe a semana da paz, a yoga pela paz e diversos outros encontros e movimentos pela paz. Mas afinal, o que é a paz ? Ela já existe ? Se não, como criá-la ? Se sim, onde encontrá-la ? Cada pessoa terá uma resposta diferente para estas perguntas.

Há um dito sobre a paz que já ouvi diversas vezes:

“É preciso lutar pela paz !”

Lutar pela paz ? Como conseguir a paz utilizando um comportamento (lutar) que nos remete à guerra ?

Onde se incia a paz ? Será que ela deve começar pelo outro, pelo externo, pela sociedade, pela nação ? Ou será que se inicia no interior de cada indivíduo que a deseja ? Será que impondo a paz no outro, estaremos promovendo-a ?

Pela minha observação e experiência, a paz já existe. Ela é tão real quanto as batidas de seu coração. Alcançável por qualquer pessoa aberta e corajosa o bastante para encontrá-la e vivenciá-la. Corajosa porque a paz se encontra por trás de todos os preconceitos, julgamentos, padrões de comportamento, pensamentos e crenças que repudiamos nos outros, mas que estão em nós mesmos. E para aqueles que querem realmente acessar a paz é necessário se enfrentar (no sentido de estar de frente para) e integrar estes pensamentos, crenças e valores.

De que adianta pedir a paz exterior, se a própria pessoa ainda não está em paz consigo mesma ? O que ela estará realmente promovendo no outro, se ela própria ainda não encontrou e manifesta a paz interiormente ?

A paz não vem de fora. Nunca virá. Aqueles que culpam o externo, a sociedade e o outro pelos próprios sentimentos e por aquilo que acontece em seu interior se põe no papel de vítima. E vítimas serão sempre vítimas. E até que se conscientizem do papel que assumiram para si, serão incapazes de encontrar aquilo que já está dentro delas: a paz que influencia e se manifesta naturalmente em todos que estão à sua volta.

Autor: Saulo Nagamori Fong e Equipe

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O Que Eu Realmente Tenho ?

Mesmo que eu perca todos os meus bens,
ainda restará minha família e meus amigos.

Mesmo que eu perca toda minha família e amigos,
ainda restará meu corpo e minha vida.

Mesmo que eu perca meu corpo e minha vida,
ainda restará a eterna Consciência onde está a essência do Amor,
mostrando que nada tive, apenas Sou.

Autor: Saulo Nagamori Fong e Equipe

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